A Parede da
Primeira Peça
Quando alguém entra na sala pela primeira vez, fazemos um convite simples: faz uma pequena peça. Do tamanho da palma da mão. Pode ser de barro, papel, madeira, qualquer coisa. Escreves o teu primeiro nome atrás. Escreves a data. Se quiseres, escreves uma palavra.
"A parede não é sobre arte. É sobre estar aqui."

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peças
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fev. 2027
desde
A peça não tem de ser bonita. Não há avaliação. Ninguém está a olhar para ver o que fizeste. Há barro na mesa. Há papel. Há tinta. Podes passar dez minutos ou uma hora. Podes fazer uma esfera de barro do tamanho de um limão. Podes dobrar papel. Podes cortar e colar. A única regra é que cabe na palma da mão.
Quando a peça está pronta, colocas o teu primeiro nome atrás, a data de hoje, e — se quiseres — uma palavra ou frase. Depois a peça vai para a parede. Não para a parede que muda todas as semanas. Para a Parede da Primeira Peça, que não muda. Fica ali, junto às de todas as pessoas que vieram antes de ti.
Há pessoas que voltam à sala meses depois e procuram a sua peça. Às vezes encontram-na com facilidade. Às vezes demora. À medida que a parede cresce, o jogo muda. Daqui a uns anos, procurar a tua peça vai ser parecido com procurar uma pessoa numa fotografia de grupo muito grande.
"Daqui a cinco anos serão milhares."