A sala
A sala fica no centro histórico de Albufeira, a dois minutos do Mercado Municipal. Cento e dez metros quadrados. Tecto alto. Uma janela grande de frente para a rua. Entras directamente da rua e estás na sala.
A mesa
A mesa fica ao centro da sala. Doze lugares. Madeira de carvalho maciço, feita por um carpinteiro de Albufeira que trabalha a dez minutos daqui. Tem marcas — respingos de tinta, um entalhe aqui e ali — que vão ficando com o tempo. São bem-vindas.
Não há lugar marcado. Senta-te ao pé de quem quiseres ou ao pé de quem estiver livre. Às vezes há silêncio à mesa. Às vezes há conversa sobre o que se está a fazer. Há quem venha sozinho e quem venha em grupo. A mesa acomoda tudo isso.


As paredes
As paredes mudam todas as semanas. Tudo o que está pendurado foi feito nesta sala. Não há trabalhos de fora, não há curadoria extensa. O que está é o que as pessoas que vieram esta semana fizeram.
Se quiseres deixar o teu trabalho para vender, falamos contigo. Escrevemos o teu primeiro nome, o preço, e uma frase se quiseres. A comissão da sala é de 25%. O resto é teu, pagamos em numerário no fim do mês.
Há também uma pequena reserva de peças guardadas — trabalhos que as pessoas não quiseram levar nem vender, mas que ficaram. De vez em quando aparecem na parede de surpresa.
A Parede da Primeira Peça
É diferente das outras paredes. Não muda. Cada visitante que entra pela primeira vez faz uma peça pequena — do tamanho da palma da mão — e essa peça fica. Para sempre.
A parede vai crescendo com a sala. Daqui a cinco anos terá centenas de peças. Daqui a dez, milhares. Cada uma com o primeiro nome, a data, e uma palavra se quiseres.
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O café
Há um pequeno balcão no canto. Servimos café, chá, sopa do dia, sandes e vinho ao final da tarde. A comida é simples porque a cozinha é pequena e porque o importante é a mesa longa, não o menu.
Quem deixa o telemóvel no cubículo ganha um café. Não é uma regra — é uma oferta.

Os telemóveis
Logo à entrada há uma estante de madeira com cubículos numerados — fez-os o mesmo carpinteiro que fez a mesa. Pedes um número, guardas o telemóvel, levas a chave. Se precisares do telemóvel, há um banco do lado de fora. O telemóvel não fica proibido de entrar. Simplesmente não há onde pousá-lo à mesa.
Quem deixa o telemóvel no cubículo ganha um café ou chá. É isso. Não há discurso sobre o assunto.
Vem ver a sala de perto.
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