Cinco coisas para fazer com as mãos numa tarde
Não precisas de saber o que vais fazer antes de chegar. Mas se ajudar ter um ponto de partida, aqui ficam cinco.
1. Faz uma esfera de barro
É a coisa mais simples do mundo e é surpreendentemente satisfatória. Pega num bocado de barro do tamanho de uma laranja. Trabalha-o com as palmas das mãos em movimentos circulares durante cinco minutos. A ideia não é fazer uma esfera perfeita — é fazer uma esfera tua, com as marcas que as tuas mãos deixam. Podes deixá-la secar. Podes esmagá-la e começar de novo. Podes entalhá-la com um palito. O barro está na mesa às terças, quartas e sábados.
2. Copia qualquer coisa que gostes
Traz uma imagem — uma fotografia no telemóvel, uma página de um livro, uma folha que colheste no caminho. Tenta reproduzi-la a lápis ou carvão. Não importa se ficar parecida. O acto de olhar com atenção para qualquer coisa e tentar pô-la no papel muda a forma como vês. Uma hora de cópia cuidadosa diz-te mais sobre como funciona a luz do que um ano de teoria.
3. Faz um livro de uma página
Dobra uma folha A4 ao meio, depois ao meio outra vez, depois ao meio mais uma vez. Abre. Tens oito secções. Usa cada secção para uma coisa diferente: uma palavra, um risco, uma cor, uma forma. Não tem de fazer sentido como um todo. É uma exploração com fronteiras.
4. Mistura cores até ficares sem papel
Pega na aguarela. Mistura. Não para fazer uma cor específica, mas para perceber o que acontece quando pões dois tons juntos. Guarda a mistura num cantinho do papel. Faz outra. Vai cobrindo o papel com patches de cor. No fim tens um mapa cromático do que fizeste nessa tarde.
5. Escreve uma frase e ilustra-a
Não tens de ser escritor. Pega numa frase qualquer — algo que ouviste, algo que pensaste a caminho da sala — e escreve-a no centro de uma folha. Depois decora-a. Com o que quiseres: tinta, grafite, barro pequenino nos cantos. A frase pode ser banal. O que interessa é o tempo que passas com ela.
Nenhuma destas coisas tem um resultado certo. Todas começam com as mãos a tocar em materiais. É por isso que funcionam.